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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Polícia se prepara para conter protesto contra governo da Argélia


Mais de 20 mil integrantes da polícia de choque foram deslocados neste sábado para a capital da Argélia, Argel, enquanto manifestantes começam a se reunir para um protesto em defesa de reformas democráticas no país.

Relatos dão conta que centenas de pessoas já chegaram ao centro da capital, gritando palavras de ordem contra o presidente do país, Abdelaziz Bouteflika, exigindo melhores condições de vida e maior liberdade.
Partidários de Bouteflika também estão se organizando e se reunindo nas ruas de Argel. A polícia já posicionou veículos blindados e canhões d''água no centro da cidade, além de bloquear ruas e estradas de acesso para evitar a chegada de ônibus com mais manifestantes.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que dezenas de manifestantes já foram detidos pelas forças de segurança.

Na noite dessa sexta-feira, a polícia interveio quando uma multidão tomou as ruas para comemorar a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Os recentes protestos no Cairo e na Tunísia são tidos como os eventos que inspiraram a mobilização dos argelinos contra o governo.

Argel já teve confrontos entre manifestantes e policiais em janeiro deste ano, em meio a protestos contra o desemprego, os preços dos alimentos e as más condições de moradia.

Os protestos populares são proibidos na Argélia devido a um estado de emergência que dura desde a guerra civil de 1992. No início de fevereiro, o presidente afirmou que esta situação seria suspensa "em um futuro muito próximo".

Bouteflika fez a declaração em uma reunião com ministros, segundo a mídia estatal. Ele afirmou que os protestos seriam tolerados em qualquer parte do país, menos na capital.

Repressão
Segundo a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold, a situação na Argélia é semelhante à de outros países árabes, como o Egito. Bouteflika, 73 anos, está na Presidência desde 1999 e é acusado por muitos de se manter no poder por meio de um regime repressivo.

Além disto, segundo Arnold, uma grande quantidade de cidadãos abaixo dos 30 anos está sem emprego e enfrentando problemas sérios de habitação. A corrupção disseminada no governo e a baixíssima qualidade dos serviços públicos também aumentam a insatisfação dos argelinos.

Nos anos 1990, a política na Argélia foi dominada por uma luta entre os militares e grupos muçulmanos. Em 1992, uma eleição geral vencida por um partido islâmico foi anulada, levando a uma sangrenta guerra civil que deixou mais de 150 mil mortos.(BBC)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Onda de protestos pelo mundo árabe já chega ao Iêmen

 
Depois da Tunísia e do Egito, agora é a vez do Iêmen. A onda de protestos contra os governos autoritários no mundo árabe chegou ao país nesta quinta-feira. Dezenas de milhares de pessoas convocadas pelos principais partidos da oposição se concentraram em quatro pontos da capital Sana para pedir que o presidente do país, Ali Abdullah Saleh, desista de uma nova reeleição. Abdullah Saleh está no poder no Iêmen desde 1990.

"Não à reeleição, não à sucessão", cantavam os cerca de 10.000 participantes de uma das quatro manifestações, realizada perto da Universidade do Iêmen, no centro de Sana. Os manifestantes foram convocados pelo comitê conjunto da oposição, que reúne seis formações lideradas pelo Partido da Reforma Islâmica e que engloba também vários partidos laicos, como o Partido Socialista e o Partido Baath.

As pessoas envolvidas nos protestos gritavam palavras de ordem que faziam referência à onda de manifestações nos países vizinhos. "Quem supera o limite marcado pela Constituição chega a Jidá", gritavam alguns, em referência ao presidente deposto da Tunísia, Ben Ali, que fugiu para a cidade saudita depois de um mês de protestos. A oposição garante que os protestos serão sempre pacíficos e visam apenas criticar a manutenção de Saleh no poder.

Uma das marchas mais comentadas foi a realizada junto à casa do falecido líder do Partido da Reforma Islâmica Abdullah Bin Hussein al Ahmar, situada no centro da cidade, nas proximidades da sede do Ministério do Interior. As manifestações que começaram em dezembro e levaram à queda do presidente da Tunísia contagiaram vários países da região, como Egito e Iêmen, onde foram adotados os lemas dos manifestantes tunisianos.(EFE)