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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Senado aprova acordo Brasil-França para produção de submarinos


O Plenário do Senado aprovou nesta quinta-feira (5) acordo entre Brasil e França, firmado em dezembro de 2008, para cooperação na produção de submarinos. O Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 79/11 segue agora para promulgação.

O acordo aprovado estabelece a cooperação bilateral no desenvolvimento e na construção de submarinos convencionais do tipo Scorpène (SBR), assim como de um submarino com armamento convencional destinado a receber um reator nuclear a ser desenvolvido pela parte brasileira (SNBR).

O texto estabelece a compra pelo Brasil de quatro submarinos e a transferência de tecnologia, bem como a assistência francesa para a construção de um estaleiro de submarinos e de uma base naval.

Durante a tramitação do acordo na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), o relator da matéria, senador João Pedro (PT-AM), observou que dois aspectos tornaram atraente para o governo brasileiro a proposta francesa: a necessidade de submarinos de propulsão nuclear para a vigilância mais adequada das águas profundas da plataforma continental brasileira, onde se encontra a camada pré-sal; e a decisão da França de fazer a transferência de tecnologia.

Segundo João Pedro, a Marinha considera que tais submarinos podem permanecer submersos por períodos mais longos, sendo mais adequados para a vigilância em águas profundas.(Agência Senado)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Angra: Eletronuclear planeja fuga pelo mar em caso de acidente nuclear


A direção da Eletronuclear, empresa que opera as usinas Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis, está planejando obras para a cosntrução de dois píeres na região, que vão servir como "plano de fuga" pelo mar em caso de acidentes, segundo o jornal "O Globo".

Baía da Ribeira e Praia Brava são os pontos onde devem ser instalados os cais, que vão permitir a atracação de barcos de maior porte para que mais pessoas possam ser deslocadas. A prefeitura de Angra dos Reis estima que cerca de 20 mil pessoas moram em áreas que podem ser afetadas em caso de acidente nuclear ou outro evento.

A escapatória também é importante no caso de deslizamento da Rio-Santos, que foi muito afetada nos últimos anos. A região é propensa a deslizamentos, principalmente em época de chuvas, devido à estrutura geológica.

O plano de salvamento de moradores da região começou a ser amadurecido após a crise nuclear no Japão, com o terremoto e tsunami que deixou milhares de mortos no país, além da tragédia na Região Serrana, que devastou diversas cidades e deixou mais de 900 mortos.(SRZD)

domingo, 20 de março de 2011

Wikileaks: Japão foi avisado sobre deficiência na segurança das usinas


O governo japonês foi alertado, há mais de dois anos, que as regras de segurança das centrais nucleares estavam fora de data e fortes tremores poderiam causar "um problema grave". A informação está em telegramas oficiais obtidos pelo site Wikileaks e publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "The Telegraph".

Um funcionário da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que em dezembro de 2008 a segurança das usinas nucleares japonesas estavam desatualizadas. O governo do Japão havia se comprometido a aumentar a segurança em todas as usinas, segundo o Wikileaks.

Os avisos sobre a segurança das usinas nucleares no Japão, um dos países sismologicamente ativos do mundo, foram abordados durante uma reunião sobre segurança nuclear do G8 e do Grupo de Segurança em Tóquio, em 2008.

Ainda no documento divulgado pelo Wikileaks, um funcionário da AIEA explicou que os guias de medidas para segurança sísmica só foram revistos por três vezes nos últimos 35 anos e que a agência está reexaminando agora.

Desde o terremoto com magnitude 9,0 de sexta-feira, a usina nuclear Fukushima Daiichi 1, no nordeste do Japão, sofreu quatro explosões e dois incêndios. A situação espalhou uma onda de medo sobre uma possível contaminação radioativa no país.(SRZD)

sábado, 19 de março de 2011

Alto nível de radiação é detectado a 30 quilômetros da usina de Fukushima


Segundo o ministério da Ciência japonês foram detectados altos níveis de radiação num raio de 30 quilômetros da usina de Fukushima, cujos reatores foram abalados pelo terremoto que atingiu o Japão há uma semana.

Especialistas ouvidos pela rede japonesa NHK, disseram que seis horas de exposição à radiação emitida pela usina corresponde ao nível máximo considerado seguro para um ano. Apesar disso, os níveis encontrados não representariam uma ameaça imediata para a saúde.

Os testes foram feitos entre 9h20 da manhã de quinta-feira e 3h da manhã desta sexta (no horário local). A orientação do governo para as pessoas que moram entre 20 e 30 quilômetros da usina era de permanecer em casa, com portas e janelas fechadas.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, afirmou nesta sexta-feira que o nível de radiação em Tóquio não é perigoso. O diretor da agência da ONU também anunciou que o órgão planeja uma reunião extraordinária sobre as usinas nucleares do Japão, na próxima segunda-feira.

Em uma declaração feita hoje, o chefe do gabinete japonês, Yukio Edano,disse que "a escala sem precedentes do terremoto e do tsunami” que atingiu o Japão estão “entre as muitas coisas que não tinham sido antecipadas na nossa gestão de desastres planos de contingência”.

Alimentos passarão por teste de radioatividade

O governo japonês recomendou que as autoridades de localidades próximas a Fukushima façam testes para medir o nível de radioatividade nos alimentos disponíveis em mercados e lojas de conveniência.
Os testes serão realizados nas cidades próximas a Fukushima, segundo informou o vice-ministro do Trabalho, Saúde e Bem-Estar do Japão, Kohei Otsuka, que também afirmou que até o momento não foram registrados relatos de que os alimentos tenham sido contaminados por radiação.

Acidente é reclassificado

Ainda nesta sexta-feira, a Agência de Segurança Nuclear do Japão elevou de 4 para 5 o nível de gravidade do acidente nuclear na usina de Fukushima. O índice da Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES, pela sigla em inglês) varia entre 0 e 7.

O nível 5 se refere a acidentes nucleares "com consequências de maior alcance", enquanto o grau 4, no qual os incidentes eram avaliados até agora, define acidentes "com consequências de alcance local".

O nível 7, o mais alto na escala de medição, corresponde à liberação ao exterior de materiais radioativos com amplos efeitos na saúde humana e no meio ambiente.

O acidente na usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, é até hoje o único caso no mundo em que o nível máximo foi atingido.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Reator movido a plutônio sofre rachadura e crise se agrava no Japão

De acordo com a empresa responsável pela usina nuclear, resfriamento de terminal 3 é prioridade

A crise nuclear japonesa agravou-se nesta quarta-feira, 16, com o anúncio de que o depósito de combustível atômico do reator 3 do complexo de Fukushima apresenta rachaduras. Ontem, um problema semelhante foi descoberto no terminal 2. A Tokyo Eletric Power Co. (Tepco), responsável pela usina, disse que o resfriamento do reator 3, movido a plutônio, é a "prioridade" para evitar um desastre de proporções maiores.  

De acordo com o chefe de gabinete do governo japonês, Yukio Edano, a ruptura pode ter causado a nuvem de fumaça branca vista sobre o complexo no começo do dia (noite de terça no Brasil). Os níveis de radiação subiram e os 50 trabalhadores que lutam para resfriar os reatores foram retirados da usina. No final da noite (manhã de hoje em Brasília), a contaminação caiu e os técnicos - agora 180 deles - voltaram ao complexo.

O governo do Japão disse que os níveis de radiação fora do terreno da usina permanecem estáveis, mas, em um sinal de estar sobrecarregado, apelou às empresas privadas para ajudarem a entregar suprimentos às dezenas de milhares de pessoas que foram retiradas do entorno do complexo. "As pessoas não estariam em perigo imediato se saíssem de casa com esses níveis. Quero que as pessoas entendam isso", disse Edano.

Desde o terremoto de magnitude 9 que atingiu o país na última sexta-feira, três dos seis terminais do complexo de Fukushima sofreram explosões, um pegou fogo e outros dois têm temperaturas acima do normal. Ao menos 70% das barras de combustíveis do reator 1 foram danificadas com o colapso do sistema de resfriamento causado pelo terremoto, enquanto no reator 2, o dano ficou em 33% das barras.

Houve também repetidos vazamentos de radiação no ambiente. Foi decretada uma área de segurança de um radio de 20 quilômetros a partir da usina devido aos vazamentos de material radioativo, o que forçou a evacuação de mais de 200 mil pessoas que viviam na região. Além disso, outras 140 mil pessoas estão em um raio de 30 quilômetros do complexo. Em Tóquio, a radiação está 20 vezes acima do normal, mas ainda não representa risco à saúde, segundo o governo japonês.
(Reuters, AP e NYT/ Estadão)

Pastilhas de iodo são a arma para evitar contaminação nuclear

Pessoas expostas à radiação, entre elas especialistas e bombeiros que trabalham na zona de risco, podem apresentar sintomas de doenças nas semanas ou meses seguintes, e mesmo vômitos em 24 horas, dependendo da dose da contaminação recebida. A medida mais importante a ser tomada pelas autoridades será a distribuição de pastilhas de iodo para evitar o câncer na tireóide, principalmente entre os jovens, crianças, bebês e mulheres grávidas ou que amamentam.

"Este produto, muito volátil, adere literalmente na glândula tireóide, que fica, assim, saturada de iodo limpo, evitando que o iodo radioativo adira", explicou o professor. O problema é que se deve agir a tempo: de preferência, uma hora antes da emissão de partículas contaminadas. Também funciona se o iodo for aplicado "nas 24 horas seguintes mas, neste caso, só protege 25%".

Funcionários checam se uma criança tem sinais de radiação durante a evacuação das áreas próximas à usina nuclear de Fukushima

Embora a exposição em massa à radiação possa ter sido evitada na central japonesa de Fukushima, vapores e elementos radioativos vazam na atmosfera desde sábado, o que representa un risco de contaminação para as populações vizinhas.

A nuvem de gases radioativos que parecia deslocar-se neste domingo para o Oceano Pacífico, com ventos de norte e nordeste é constituída principalmente de iodo e césio, segundo especialistas ouvidos pela AFP.

A médula óssea é a parte do corpo humano mais frágil à radiação e exigirá hospitalização, com transfusões de sangue, se atingida. "Para uma dose muito forte não tem solução", explicou neste domingo o professor Patrick Gourmelon, diretor da seção de contaminação humana do Instituto francês de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN).

A exposição da população a elementos radioativos poderá ser traduzida em diversos tipos de cânceres (tireóide, sangue, pulmões, cólon, por exemplo) de gravidade "proporcional à dose absorvida", afirmou. "Para proteger os civis, dispomos de três armas: a evacuação, o isolamento e o iodo" explicou o professor Gourmelon.

De preferência, em caso de vazamento de material radioativo, as pessoas deverão instalar-se nos porões das casas, com as portas e janelas fechadas com fita adesiva sem ligar aparelhos de ar condicionado e de calefação. "Trata-se de evitar, com isto, que partículas radioativas penetrem nos pulmões e no tubo digestivo", explicou o médico.

No caso de contato radiativo com a pele, "será preciso uma boa ducha, mas sem esfregar, para que as partículas não penetrem nos poros", acrescentou. Também deve-se evitar roer as unhas, fumar e levar as mãos à boca.(Terra)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Acidente nuclear no Japão acende alerta em Angra


A tragédia nuclear japonesa acendeu um alerta nas usinas Angra 1 e 2, no Estado do Rio de Janeiro. Mas, se no Japão a população já estava instruída e tinha infraestrutura para esvaziar a área com segurança, no Brasil é diferente. A reportagem do Jornal O Dia percorreu neste domingo o trajeto entre Angra dos Reis e a capital e constatou que as rotas de fuga não são apropriadas para que a população da Costa Verde consiga escapar em caso de acidente, e a população não é treinada adequadamente. A BR-101, que liga as cidades, além de mal sinalizada, tem trechos com quedas de barreiras em obras desde o Réveillon de 2010, quando a chuva fez centenas de mortos na região.

O tipo de reator da usina japonesa tem diferenças do modelo brasileiro, segundo o físico Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe/UFRJ. "Nosso sistema apresenta vantagens, mas tem a proximidade do mar. Uma tsunami não é provável, mas estamos vulneráveis".

O risco de vazamento de radiação não está relacionado só a abalos sísmicos e tsunamis. Falha no núcleo do reator é uma das hipóteses. Atentados terroristas e a queda de um avião não são descartados. Mecanismos de proteção existem para evitar vazamento, mas, em caso extremo, o risco maior é para quem vive num raio de cinco quilômetros.São 20 mil pessoas.

A contaminação mais grave, que atingisse de 10 a 12 quilômetros, afetaria 80 mil. O risco de atingir o Centro de Angra, aventado por ambientalistas, mas negado pelas autoridades, comprometeria a segurança de 180 mil moradores.

O conselheiro da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê) Rafael Ribeiro também critica o plano. Segundo ele, a população não está devidamente treinada para emergências. Ele disse que a retirada das pessoas poderia ser prejudicada em caso de queda de barreira ou engarrafamento.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, é outro que vê falhas no plano de contingenciamento. Segundo ele, os exercícios deveriam ser mais frequentes e os procedimentos, mais claros.
A Eletronuclear, que opera as usinas , divulgou nota afirmando que a região tem baixo risco de terremotos ou tsunamis. Além disso, alega, as estruturas suportariam abalo até de grande magnitude.
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Odair Dias Gonçalves, diz que o raio de cinco quilômetros é suficiente para a segurança.

Engenheiro reconhece que rodovia não é suficiente para saída em massa

Com apenas uma estrada entre o mar e a montanha como rota de fuga, os moradores de Angra dos Reis podem ter problemas para esvaziar o local com rapidez no caso de uma tragédia nuclear. No trecho entre Itacuruçá e o Centro da cidade, a pista comporta apenas dois carros, um em cada sentido. No trajeto há quatro obras contra quedas de barreira inconcluídas, uma ocupa parte da via, onde só passa um carro por vez. Além disso, as placas de sinalização estão cobertas pela vegetação.

O engenheiro Pedro Bonsanto, 56 anos, que se mudou para a região na década de 80 para trabalhar na central nuclear, reconhece que a rodovia é insuficiente para uma saída em massa. "Se houvesse mais acostamento, seria melhor. A estrada é muito instável. Se acontecer um acidente, será um problema", avalia o mineiro.

Segundo ele, a ineficiência das autoridades atrapalha ainda mais. "A estrada está em obras há um ano e três meses. Como é possível termos recursos para ter uma usina nuclear se eles não pintam nem as faixas", reclama ele, que todos os anos recebe em casa um calendário com instruções de saída e datas de simulações de emergência. Pablo Wendel, 18, que costuma pegar ondas na Praia Brava, próxima à usina, diz que há pouca divulgação de normas de segurança. Quando eu estava na escola, eles faziam palestras, mas isso não é frequente, explicou.(O Dia)