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segunda-feira, 21 de março de 2011

Itália e Alemanha evidenciam divisão sobre ação na Líbia


A maioria dos países da União Europeia (UE) defendeu nesta segunda-feira a intervenção internacional na Líbia, enquanto que a Alemanha e Itália se distanciaram e evidenciaram uma divisão nos 27 membros perante a atuação da coalizão liderada pela França, Reino Unido e Estados Unidos. O ministro de Exteriores alemão, Guido Westervelle, assegurou que as críticas expressadas pela Liga Árabe aos bombardeios da coalizão confirmam os temores que seu governo tinha manifestado.

"Nós decidimos não participar, calculamos os riscos e três dias depois a Liga Árabe já critica a intervenção. Acho que tínhamos razão", afirmou Westerwelle ao chegar a uma reunião com seus colegas comunitários em Bruxelas. A mensagem da Liga Árabe que serve a Berlim para confirmar sua postura cética foi anunciada no domingo pelo secretário-geral da organização, Amr Moussa, que assegurou que a operação realizada na Líbia "é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea".

"Dissemos que não é preciso nenhuma operação militar", acrescentou Moussa, que pediu relatórios completos do que está passando no país norte-africano. A Alta Representante da UE, Catherine Ashton, assegurou nesta segunda-feira que as palavras do responsável da Liga Árabe foram interpretadas equivocadamente. Ashton lembrou que Moussa apoiou no sábado, durante a cúpula realizada em Paris, os ataques aéreos contra alvos militares do regime de Muammar Kadafi.

Junto a chefe da diplomacia europeia, vários ministros como a espanhola Trinidad Jiménez consideraram que a operação na Líbia "está se ajustando à legalidade internacional". Jiménez confiou em "seguir contando com o apoio da Liga Árabe" para essas ações. Nessa linha, seu colega finlandês, Alexander Stubb, lembrou que a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas "dá à comunidade internacional o direito e a responsabilidade de proteger as vidas civis" e disse que isso é o que se está fazendo. O ministro sueco, Carl Bildt, declarou que não há uma divisão na UE, mas "diferentes países fazem diferentes contribuições no contexto da resolução da ONU".

No entanto, quase ao mesmo tempo o titular de Exteriores italiano, Franco Frattini, indicou que seu país quer ver se as ações desenvolvidas até agora pela coalizão "estão de acordo com a aplicação da resolução das Nações Unidas". "Não deveria ocorrer uma guerra na Líbia, deve ocorrer uma aplicação plena da resolução 1973", advertiu Frattini. O italiano considerou que "é hora de passar de uma 'coalizão de voluntários' para um enfoque mais coordenado pela Otan".

Frente a essa postura, Jiménez assinalou que "parece que o que faz mais sentido" é que a operação continue liderada pela coalizão que a começou, dado que nela participam também países árabes que não pertencem à Otan. A Aliança Atlântica, dividida pela negativa da Turquia e Alemanha a participar dos ataques contra Kadafi, discute nesta segunda-feira em Bruxelas o papel que pode desempenhar na ação internacional. "É preciso esclarecer muito rapidamente a situação", urgiu o ministro de Exteriores luxemburguês, Jean Asselborn, que considerou que a Aliança deve pronunciar-se já sobre seus planos.

Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia mergulha em guerra civil

Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio evoluíram e se resolveram principalmente por meio protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos bem distintos, beirando uma guerra civil.

Após semanas de violentos confrontos diários em nome do controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus grandes avanços a locais como Sirte e o porto petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se aproxima das portas de Benghazi, a capital da resistência rebelde, no leste líbio.

Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da comunidade internacional. Até então adotando medidas mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia. Menos de 48 horas depois, enquanto os confrontos persistiam, França, Reino Unido e Estados Unidos iniciaram ataques. Mais de mil pessoas morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.(Terra)

sábado, 19 de março de 2011

Gaddafi descumpre cessar-fogo e ataca reduto rebelde na Líbia

O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, ignorou o cessar-fogo decretado por seu próprio governo e lançou ataque, por terra e pelo ar, contra o reduto dos rebeldes da oposição, a cidade de Benghazi, no leste do país. 

Gaddafi alertou ainda, segundo um porta-voz, que qualquer intervenção internacional na Líbia será uma "clara agressão". "Isto é injustiça, isto é uma clara agressão", disse Gaddafi, em uma carta enviada à ONU (Organização das Nações Unidas), à França e ao Reino Unido.  

"Vocês também vão se arrepender se tomarem um passo para interferir nos nossos assuntos internos", continuou Gaddafi, em meio aos preparativos da França e aliados para impor, por meio de força, a zona de exclusão aérea e medidas de proteção aos civis aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira (17). 

Segundo o porta-voz, Gaddafi enviou ainda uma carta separada aos Estados Unidos, na qual disse que todos os líbios estão preparados para morrer pelo país. 

O ditador reverte assim as declarações de seu chanceler, Moussa Koussa, que foi a público menos de 24 horas atrás dizer que a Líbia aceitava a resolução da ONU e decretava assim cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militares. 

Neste sábado, as forças rebeldes derrubaram um avião militar de Gaddafi, que bombardeava os arredores de Benghazi, deixando uma nuvem de fumaça negra. Um repórter da Associated Press viu o avião cair, em meio ao som de artilharia. 

Os jovens de Benghazi reagiam como podiam. Alguns recolhiam garrafas para fazer coquetéis Molotov. Outros moradores usavam estrado de camas e pedaços de metal para bloquear as estradas e impedir o avanço das tropas por terra. 

A rede de TV CNN relata, contudo, que a batalha por terra já começou, com tanques dos dois lados chegando cada vez mais próximos. 

"Onde está a França, onde está a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]?, chorava uma mulher de 50 anos em Benghazi. "Está muito tarde". 

O porta-voz do governo, Ibrahim Musa, negou a queda do avião, apesar das fotos registradas pelas agências internacionais. Ele também negou que as forças do governo atacaram cidades líbias e disse que são os rebeldes que violam o cessar-fogo. 

"Nossas forças armadas continuam a regredir e se esconder, mas os rebeldes continuam nos atacando e nos provocando", disse Musa. 

A rede de TV Al Arabyia registra também bombardeios das forças de Gaddafi contra os rebeldes em Zintan e disse que ao menos cinco morteiros caíram em seus arredores. 

PRONTO PARA AGIR
 
Em meio a notícia dos ataques, Paris sedia uma reunião internacional sobre a crise líbia, na qual serão discutidos os próximos passos após a aprovação da resolução da ONU. 

Nesse encontro, pode ser decidida uma intervenção militar na Líbia, disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud. 

Participarão da reunião a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Líderes árabes também estarão presentes. 

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, já alertara nesta sexta-feira que as forças de Gaddafi violam o cessar-fogo previsto na resolução do Conselho de Segurança, que permite o uso de força militar para proteger os civis líbios. 

Já Araud afirmou esperar uma intervenção militar no país do norte da África horas depois de uma reunião, marcada para este sábado em Paris, entre os principais participantes de uma possível operação. 

RESOLUÇÃO
 
A criação da zona de exclusão aérea autoriza o abate de aviões do ditador líbio que decolem para atacar tropas opositoras. Em outras palavras, a ONU liberou o uso da força militar para que a resolução seja respeitada. 

A medida endurece ainda o embargo e as sanções contra Gaddafi, seus familiares e círculo mais próximo de colaboradores implementadas no mês passado. Bens e fundos de investimento do ditador e sua família na Suíça e na União Europeia há haviam sido congelados semanas atrás. 

Os Estados-membros da ONU podem agora adotar "todas as medidas necessárias" --o que incluiria ataques aéreos-- para "proteger os civis e as áreas povoadas por civis sob ataque na Líbia, incluindo Benghazi". 

O texto, contudo, exclui a presença de "qualquer força de ocupação estrangeira de qualquer tipo, em qualquer parte do território líbio". 

A resolução foi aprovada por dez votos a favor (incluindo EUA, França e Reino Unido), nenhum contra e cinco abstenções --Rússia, China, Alemanha, Índia e Brasil. 

O Brasil alegou temer que a resolução resulte em mais confrontos e disse defender uma solução pacífica aos confrontos.(Folha de São Paulo)


Alto nível de radiação é detectado a 30 quilômetros da usina de Fukushima


Segundo o ministério da Ciência japonês foram detectados altos níveis de radiação num raio de 30 quilômetros da usina de Fukushima, cujos reatores foram abalados pelo terremoto que atingiu o Japão há uma semana.

Especialistas ouvidos pela rede japonesa NHK, disseram que seis horas de exposição à radiação emitida pela usina corresponde ao nível máximo considerado seguro para um ano. Apesar disso, os níveis encontrados não representariam uma ameaça imediata para a saúde.

Os testes foram feitos entre 9h20 da manhã de quinta-feira e 3h da manhã desta sexta (no horário local). A orientação do governo para as pessoas que moram entre 20 e 30 quilômetros da usina era de permanecer em casa, com portas e janelas fechadas.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, afirmou nesta sexta-feira que o nível de radiação em Tóquio não é perigoso. O diretor da agência da ONU também anunciou que o órgão planeja uma reunião extraordinária sobre as usinas nucleares do Japão, na próxima segunda-feira.

Em uma declaração feita hoje, o chefe do gabinete japonês, Yukio Edano,disse que "a escala sem precedentes do terremoto e do tsunami” que atingiu o Japão estão “entre as muitas coisas que não tinham sido antecipadas na nossa gestão de desastres planos de contingência”.

Alimentos passarão por teste de radioatividade

O governo japonês recomendou que as autoridades de localidades próximas a Fukushima façam testes para medir o nível de radioatividade nos alimentos disponíveis em mercados e lojas de conveniência.
Os testes serão realizados nas cidades próximas a Fukushima, segundo informou o vice-ministro do Trabalho, Saúde e Bem-Estar do Japão, Kohei Otsuka, que também afirmou que até o momento não foram registrados relatos de que os alimentos tenham sido contaminados por radiação.

Acidente é reclassificado

Ainda nesta sexta-feira, a Agência de Segurança Nuclear do Japão elevou de 4 para 5 o nível de gravidade do acidente nuclear na usina de Fukushima. O índice da Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES, pela sigla em inglês) varia entre 0 e 7.

O nível 5 se refere a acidentes nucleares "com consequências de maior alcance", enquanto o grau 4, no qual os incidentes eram avaliados até agora, define acidentes "com consequências de alcance local".

O nível 7, o mais alto na escala de medição, corresponde à liberação ao exterior de materiais radioativos com amplos efeitos na saúde humana e no meio ambiente.

O acidente na usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, é até hoje o único caso no mundo em que o nível máximo foi atingido.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Liga Árabe rejeita intervenção externa na Líbia e adia cúpula

Navio de Guerra dos Estados Unidos no Canal de Suez

Motivo é a situação tensa no Norte da África e no Oriente Médio.
Órgão diplomático pediu ao regime de Kadhafi que cesse a violência.

A Liga Árabe adiou até o final de maio a sua cúpula inicialmente prevista para 29 de março em Bagdá, em consequência da situação na região do Norte da África e do Oriente Médio.

Em 18 de fevereiro a Líbia, atual presidente da Liga, anunciou que adiaria a cúpula anual, mas o Iraque desmentiu esse adiamento por considerar que não poderia ser decidido por um único país.

Ministros de Relações Exteriores da Liga Árabe se reuniram no Cairo para discutir o esboço de uma resolução rejeitando a intervenção militar estrangeira na Líbia, informou o vice-secretário-geral da Liga, embaixador Ben Helli. "A Liga Árabe, por meio de seus delegados, introduziu na terça-feira uma resolução que será entregue aos ministros de Relações Exteriores durante a reunião... para rejeitar qualquer intervenção militar estrangeira na Líbia", afirmou o embaixador Helli.

O Egito informou que dois navios de guerra americanos entraram no canal de Suez em seu caminho pelo Mediterrãneo, se aproximando da costa líbia, após ordens do secretário de Defesa, Robert Gates.
O presidente da Liga, Amr Moussa, pediu o fim da violência na Líbia na semana passada, dizendo que as exigências do povo árabe por mudanças são legítimas e requerem negociações, não confrontos.
A reunião desta quarta-feira entre ministros de Relações Exteriores deve reforçar a condenação da entidade contra o líder líbio, Muammar Kadhafi, mas o esboço da resolução também irá ressaltar 'a unidade e integridade do solo líbio'.

A Liga suspendeu a participação da delegação líbia na entidade, sediada no Cairo, como forma de condenação contra a violência das forças de Kadhafi na repressão às revoltas populares.

Ministros da Liga Árabe pediram aos líderes líbios nesta quarta-feira que tomem decisões 'corajosas' para impedir a violência e respeitem os 'direitos legítimos' do povo.

O ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, que presidiu a sessão de abertura da reunião no Cairo, também afirmou que a crise na Líbia é um assunto interno dos árabes, enfatizando que os árabes não queriam nenhuma 'intervenção estrangeira'.

Ele pediu um momento de silêncio aos ministros pelos árabes mortos na onda de protestos por reformas na região.(G1)



 

terça-feira, 1 de março de 2011

EUA posicionam navios e aviões perto da Líbia


WASHINGTON (Reuters) – As Forças Armadas dos Estados Unidos estão posicionando navios e aviões militares perto da Líbia, afirmou um oficial do Pentágono na segunda-feira, no momento em que o governo do presidente Barack Obama intensifica a pressão para que o líder líbio, Muammar Gaddafi, deixe o poder.

Os navios poderão ser usados para missões humanitárias e de resgate, afirmou a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em Genebra, onde ela disse ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) que Gaddafi estava usando “mercenários e bandidos” para reprimir uma manifestação popular.

“Não há qualquer ação militar pendente envolvendo embarcações navais dos Estados Unidos”, ela disse, depois que o Pentágono anunciou que estava posicionando navios de guerra e unidades da Força Aéreo perto do litoral líbio.

“Nós estamos aproximando navios da Líbia em caso de necessidade”, afirmou o coronel David Lapan, um porta-voz do Pentágono.

O coronel afirmou que aviões também estavam sendo reposicionados perto da Líbia, onde Gaddafi permanece irredutível diante da pressão do Ocidente e do seu próprio povo para acabar com seu regime de 41 anos.

O governo norte-americano afirmou que a ação militar é uma das opções que está considerando, embora muitos analistas dizem ser muito improvável que os Estados Unidos lancem uma invasão terrestre ou ataques aéreos por causa da situação volátil no país norte-africano.

O Pentágono não deu detalhes de quais forças estavam sendo mobilizadas, mas o anúncio deve ter o objetivo de enviar um sinal para Gaddafi e seu governo de que os Estados Unidos estavam agindo.

Não estava imediatamente claro quais navios a Marinha norte-americana têm no mar Mediterrâneo, mas o país possui dois porta-aviões estacionados mais a leste. A Sexta Frota dos Estados Unidos tem sua base perto de Nápoles, na Itália, no Mediterrâneo, em frente à Líbia.

Os Estados Unidos também estão conversando com aliados sobre criar uma zona de “restrição aérea” na Líbia, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Essa condição poderia impedir que Gaddafi usasse aviões de guerra ou helicópteros para atacar rebeldes que tomaram grandes áreas do país.

(Reportagem de Missy Ryan, Jeff Mason, Steve Holland, Glenn Somerville e Alister Bull, em Washington; de Andrew Quinn, em Genebra; e de Peter Apps, em Londres)
FONTE: Reuters/Brasil Online / FOTO: US Navy

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Mercenários" em helicópteros massacram manifestantes na Líbia

ONU fala em crimes contra a humanidade, enquanto governo nega ações

A rede de TV Al Jazeera, com sede no Qatar, informou que o governo continua a reprimir com violência os protestos contra o ditador Muammar Gaddafi, que há mais de 40 anos controla a Líbia. O jornal espanhol El País publicou o relato de pessoas dizendo que helicópteros sobrevoam a capital e mercenários abrem fogo indiscriminadamente.

A Jazeera relata que homens armados atiram contra os manifestantes em parte da capital do país, Trípoli, e em outras localidades líbias. Testemunhas afirmaram que Gaddafi bombardeou manifestantes nesta segunda-feira (21) e ao menos dois pilotos da Força Aérea do país se recusaram e buscaram refúgio em Malta.

Sem citar fontes, a rede de TV aponta cerca de 300 mortos nos embates. A ONG Human Rights Watch divulgou nesta segunda-feira (21) um balanço de mais de 230 mortes e números de outras fontes citam até 400 baixas.


Trata-se da segunda semana dos mais significativos protestos contra Gaddafi. No último domingo (20), o filho apontado como o possível sucessor do ditador, Saif al Islam Gaddafi, disse na TV que o governo resistiria até a última bala. Nesta segunda-feira, foi a vez do próprio Gaddafi aparecer na TV para dizer que não iria renunciar.

Início do foco dos protestos, a cidade de Benghazi, a segunda maior do país, continua praticamente isolada. Há um grupo de brasileiros no local, associados à construtora Queiroz Galvão.

ONU fala em crimes contra a humanidade e pede investigação

A alta comissária da Organização Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta terça-feira (22) que seja realizada uma investigação internacional sobre os ataques na Líbia contra manifestantes opositores ao governo, dizendo que podem ser considerados crimes contra a humanidade, informou a agência de notícias Reuters. Ela também pediu uma investigação independente sobre o que acontece no país.

Ao mesmo tempo, a TV líbia divulgou um comunicado de que não houve ataque aéreo em Trípoli, de acordo com a agência notícias France Presse.

Em um comunicado, Pillay pediu a suspensão imediata das violações contra os direitos humanos e denunciou o uso de metralhadoras, franco-atiradores e ataques sistemáticos contra civis.

Pillay, ex-juíza de crimes de guerra da ONU, alertou que tais atitudes podem configurar crime.
- Ataques sistemáticos em larga escala contra a população civil podem ser considerados crimes contra a humanidade. A insensibilidade com que as autoridades líbias e seus atiradores contratados estão disparando munições contra manifestantes pacíficos é algo inescrupuloso. Estou extremamente preocupada que vidas estejam sendo perdidas enquanto falo neste momento.

O departamento não tem presença na Líbia, mas permanece em prontidão para apoiar investigações e promover direitos civis, políticos e econômicos no país do norte da África, ressaltou o comunicado.(R7)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Cientistas pedem à ONU sistema de defesa contra ataque de ETs


A comunidade científica foi surpreendida este mês pela reivindicação da inglesa Royal Society de que a Organização das Nações Unidas (ONU) elabore um plano de defesa contra extraterrestres.

Publicado na revista Philosophical Transactions, o artigo da sociedade científica britânica afirma que a humanidade deveria se precaver contra um encontro que poderia ser violento, e dividiu opiniões na comunidade científica brasileira.

Para os ufólogos - os pesquisadores de discos voadores - foi uma vitória. "Foi uma coisa sem precedentes. (A Royal Society) é uma das instituições cientificas mais sérias do planeta terra. Eles estão se abrindo, lentamente", diz Ademar Gevaerd, pesquisador e editor da revista UFO. O professor e pesquisador em Astronomia e Astrofísica Kepler de Souza Oliveira Filho pondera que a possibilidade de que uma vida externa seja agressiva sempre existe, mas o astrônomo não acredita em contatos agressivos entre civilizações, "simplesmente porque as distâncias entre as estrelas são tão grandes que não há possibilidade de viagens entre elas".

Crenças e evidências à parte, o diretor do Observatório Astronômico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Basílio Santiago, vê utilidade na reflexão sobre a natureza dos ETs. "É útil na medida em que nos faz refletir sobre a civilização na Terra. Ao avaliarmos os riscos de civilizações extraterrestres, reforçamos em nós todos a noção de uma civilização humana. Isso é fundamental para os desafios de governabilidade mundial", explica.

"A comunidade científica, que por muito tempo ficou completamente fora dessa discussão por puro preconceito e ignorância, hoje começa a se abrir", comemora Gevaerd. No entanto, o ufólogo acredita que o estágio da discussão pública ainda é "primitivo". "Estão falando em micróbios e processos biológicos que podem levar uma vida. Mas reservadamente, a informação de que nós estamos sendo visitados por outras espécies cósmicas já é seriamente considerada pelas diretorias de muitas instituições", aposta.

Basílio Santiago não acredita que a reivindicação da Royal Society indique uma total mudança de posição da instituição. "Não há ainda evidência de contatos com extraterrestres. O que há são relatos isolados que carecem de confirmação e validação", observa.

Conceito de vida extraterrestre não é consenso
Oliveira Filho lembra que a procura de vida fora da Terra é muito difícil. "Primeiro, porque é preciso definir o que é vida, e não há consenso sobre a definição. Segundo, porque quando fazemos uma procura na Lua ou em Marte, ou em outros planetas e satélites aonde conseguimos enviar sondas, precisamos ter certeza de que não estamos contaminando o meio pesquisado. Terceiro, sabemos que, nestes planetas e satélites perto de nós, não há condições físicas de haver vida desenvolvida, só microorganismos, por falta de água e calor. E os planetas fora do Sistema Solar estão tão distantes, que não temos condição de enviar sondas". Resta, segundo o professor, estudar os sinais de rádio emitidos em outros sistemas e procurar por vida inteligente através de um sinal com informação.

São grandes radiotelescópios, como o de Arecibo, em Porto Rico, que buscam estes sinais de inteligência extraterrestre. "Mas há também a busca por planetas nas zonas de habitabilidade em torno de estrelas. Futuramente, será possível identificar as chamadas bioassinaturas nesses planetas, ou seja, substâncias associadas à vida", projeta Basílio Santiago.

"Conseqüências devastadoras"
Em abril de 2010, o astrofísico Stephen Hawking declarou em entrevista ao Discovery Channel que os humanos deveriam "evitar qualquer contato com ETs", porque as conseqüências poderiam ser "devastadoras".

Em setembro do mesmo ano, uma reunião de militares da reserva americana aconteceu em Washington e contou com a presença de representantes da força aérea, exército e marinha. A conferência, transmitida ao vivo pela rede CNN, teve a presença de Robert Salas, oficial de lançamentos de mísseis entre 1964 a 1971, que relatou diversos incidentes onde radares teriam detectado objetos voadores não identificados. Segundo seus relatos, os discos voadores teriam sobrevoado as ogivas em baixas altitudes, fazendo os mísseis pararem de funcionar, encerrando a comunicação deles com os instrumentos de lançamento. Também foi declarado que, durante testes militares de lançamento de foguetes com ogivas desarmadas, mísseis foram destruídos em pleno ar por discos voadores.

Pesquisa no Brasil
O Brasil teve as primeiras comissões de pesquisa sobre o tema no mundo, contando inclusive com centros de pesquisas ufológicas dentro da força aérea brasileira. Fundado em 1969 e hoje extinto, o Sistema de Investigação de Objetos Aéreos não Identificados (Sioani) era um órgão oficial da aeronáutica dentro do 4º Comando Aéreo Regional, em São Paulo.

Desde 2007, o governo brasileiro já liberou cerca de 5 mil páginas de documentos classificados como "confidenciais" envolvendo incidentes com discos voadores em todo o território nacional, inclusive relatando perseguições de jatos da força aérea. Os documentos estão disponíveis para pesquisa pública no Arquivo Nacional, em Brasília.

Uma portaria assinada pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, também determina que todas as ocorrências com possíveis ovnis no País, especialmente as relatadas por pilotos, devem não somente ser transferidas para o Arquivo Nacional, mas também relatadas à autoridade competente, no caso ao Comando de Operações Aéreas (Comgar), o braço armado da Força Aérea Brasileira.