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terça-feira, 22 de março de 2011

Itamaraty divulga nota à imprensa sobre situação na Líbia

Ministério das Relações Exteriores

Assessoria de Imprensa do Gabinete

Nota à Imprensa nº 120
21 de março de 2011

Situação na Líbia

Ao lamentar a perda de vidas decorrente do conflito no país, o Governo brasileiro manifesta expectativa de que seja implementado um cessar-fogo efetivo no mais breve prazo possível, capaz de garantir a proteção da população civil, e criar condições para o encaminhamento da crise pelo diálogo.

O Brasil reitera sua solidariedade com o povo líbio na busca de uma maior participação na definição do futuro político do país, em ambiente de proteção dos direitos humanos.
O Governo brasileiro reafirma seu apoio aos esforços do Enviado Especial do

Secretário-Geral da ONU para a Líbia, Abdelilah Al Khatib, e do Comitê ad hoc de Alto Nível estabelecido pela União Africana na busca de solução negociada e duradoura para a crise.

F-15E americano cai nas proximidades de Benghazi



Um caça americano F-15E caiu na Líbia durante as incursões aéreas desta noite e a informação que se tem é que os dois tripulantes conseguiram se ejetar em segurança.

Um dos tripulantes já foi resgatado, enquanto o outro está “em processo de recuperação”, segundo um porta-voz do Comando Militar Americano para África.

O acidente foi provavelmente causado por um falha mecânica e não de fogo hostil, disse o porta-voz, Vince Crawley, à Reuters.(Poder Aéreo/The Washington Post/The Telegraph)


Ps. Para mim foi abatido.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Itália e Alemanha evidenciam divisão sobre ação na Líbia


A maioria dos países da União Europeia (UE) defendeu nesta segunda-feira a intervenção internacional na Líbia, enquanto que a Alemanha e Itália se distanciaram e evidenciaram uma divisão nos 27 membros perante a atuação da coalizão liderada pela França, Reino Unido e Estados Unidos. O ministro de Exteriores alemão, Guido Westervelle, assegurou que as críticas expressadas pela Liga Árabe aos bombardeios da coalizão confirmam os temores que seu governo tinha manifestado.

"Nós decidimos não participar, calculamos os riscos e três dias depois a Liga Árabe já critica a intervenção. Acho que tínhamos razão", afirmou Westerwelle ao chegar a uma reunião com seus colegas comunitários em Bruxelas. A mensagem da Liga Árabe que serve a Berlim para confirmar sua postura cética foi anunciada no domingo pelo secretário-geral da organização, Amr Moussa, que assegurou que a operação realizada na Líbia "é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea".

"Dissemos que não é preciso nenhuma operação militar", acrescentou Moussa, que pediu relatórios completos do que está passando no país norte-africano. A Alta Representante da UE, Catherine Ashton, assegurou nesta segunda-feira que as palavras do responsável da Liga Árabe foram interpretadas equivocadamente. Ashton lembrou que Moussa apoiou no sábado, durante a cúpula realizada em Paris, os ataques aéreos contra alvos militares do regime de Muammar Kadafi.

Junto a chefe da diplomacia europeia, vários ministros como a espanhola Trinidad Jiménez consideraram que a operação na Líbia "está se ajustando à legalidade internacional". Jiménez confiou em "seguir contando com o apoio da Liga Árabe" para essas ações. Nessa linha, seu colega finlandês, Alexander Stubb, lembrou que a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas "dá à comunidade internacional o direito e a responsabilidade de proteger as vidas civis" e disse que isso é o que se está fazendo. O ministro sueco, Carl Bildt, declarou que não há uma divisão na UE, mas "diferentes países fazem diferentes contribuições no contexto da resolução da ONU".

No entanto, quase ao mesmo tempo o titular de Exteriores italiano, Franco Frattini, indicou que seu país quer ver se as ações desenvolvidas até agora pela coalizão "estão de acordo com a aplicação da resolução das Nações Unidas". "Não deveria ocorrer uma guerra na Líbia, deve ocorrer uma aplicação plena da resolução 1973", advertiu Frattini. O italiano considerou que "é hora de passar de uma 'coalizão de voluntários' para um enfoque mais coordenado pela Otan".

Frente a essa postura, Jiménez assinalou que "parece que o que faz mais sentido" é que a operação continue liderada pela coalizão que a começou, dado que nela participam também países árabes que não pertencem à Otan. A Aliança Atlântica, dividida pela negativa da Turquia e Alemanha a participar dos ataques contra Kadafi, discute nesta segunda-feira em Bruxelas o papel que pode desempenhar na ação internacional. "É preciso esclarecer muito rapidamente a situação", urgiu o ministro de Exteriores luxemburguês, Jean Asselborn, que considerou que a Aliança deve pronunciar-se já sobre seus planos.

Cindida entre rebeldes e forças de Kadafi, Líbia mergulha em guerra civil

Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, enquanto os casos tunisiano e egípcio evoluíram e se resolveram principalmente por meio protestos pacíficos, a situação da Líbia tomou contornos bem distintos, beirando uma guerra civil.

Após semanas de violentos confrontos diários em nome do controle de cidades estratégicas, a Líbia se encontrava atualmente dividida entre áreas dominadas pelas forças de Kadafi e redutos da resistência rebeldes. Mais recentemente, no entanto, os revolucionários viram seus grandes avanços a locais como Sirte e o porto petrolífero de Ras Lanuf serem minados no contra-ataque de Kadafi, que retomou áreas no centro da Líbia e se aproxima das portas de Benghazi, a capital da resistência rebelde, no leste líbio.

Essa contra-ofensiva governista mudou a postura da comunidade internacional. Até então adotando medidas mais simbólicas que efetivas, ao Conselho de Segurança da ONU aprovou em 17 de março a determinação de uma zona de exclusão aérea na Líbia. Menos de 48 horas depois, enquanto os confrontos persistiam, França, Reino Unido e Estados Unidos iniciaram ataques. Mais de mil pessoas morreram, e dezenas de milhares já fugiram do país.(Terra)

sábado, 19 de março de 2011

Gaddafi descumpre cessar-fogo e ataca reduto rebelde na Líbia

O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, ignorou o cessar-fogo decretado por seu próprio governo e lançou ataque, por terra e pelo ar, contra o reduto dos rebeldes da oposição, a cidade de Benghazi, no leste do país. 

Gaddafi alertou ainda, segundo um porta-voz, que qualquer intervenção internacional na Líbia será uma "clara agressão". "Isto é injustiça, isto é uma clara agressão", disse Gaddafi, em uma carta enviada à ONU (Organização das Nações Unidas), à França e ao Reino Unido.  

"Vocês também vão se arrepender se tomarem um passo para interferir nos nossos assuntos internos", continuou Gaddafi, em meio aos preparativos da França e aliados para impor, por meio de força, a zona de exclusão aérea e medidas de proteção aos civis aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU na quinta-feira (17). 

Segundo o porta-voz, Gaddafi enviou ainda uma carta separada aos Estados Unidos, na qual disse que todos os líbios estão preparados para morrer pelo país. 

O ditador reverte assim as declarações de seu chanceler, Moussa Koussa, que foi a público menos de 24 horas atrás dizer que a Líbia aceitava a resolução da ONU e decretava assim cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militares. 

Neste sábado, as forças rebeldes derrubaram um avião militar de Gaddafi, que bombardeava os arredores de Benghazi, deixando uma nuvem de fumaça negra. Um repórter da Associated Press viu o avião cair, em meio ao som de artilharia. 

Os jovens de Benghazi reagiam como podiam. Alguns recolhiam garrafas para fazer coquetéis Molotov. Outros moradores usavam estrado de camas e pedaços de metal para bloquear as estradas e impedir o avanço das tropas por terra. 

A rede de TV CNN relata, contudo, que a batalha por terra já começou, com tanques dos dois lados chegando cada vez mais próximos. 

"Onde está a França, onde está a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]?, chorava uma mulher de 50 anos em Benghazi. "Está muito tarde". 

O porta-voz do governo, Ibrahim Musa, negou a queda do avião, apesar das fotos registradas pelas agências internacionais. Ele também negou que as forças do governo atacaram cidades líbias e disse que são os rebeldes que violam o cessar-fogo. 

"Nossas forças armadas continuam a regredir e se esconder, mas os rebeldes continuam nos atacando e nos provocando", disse Musa. 

A rede de TV Al Arabyia registra também bombardeios das forças de Gaddafi contra os rebeldes em Zintan e disse que ao menos cinco morteiros caíram em seus arredores. 

PRONTO PARA AGIR
 
Em meio a notícia dos ataques, Paris sedia uma reunião internacional sobre a crise líbia, na qual serão discutidos os próximos passos após a aprovação da resolução da ONU. 

Nesse encontro, pode ser decidida uma intervenção militar na Líbia, disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud. 

Participarão da reunião a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Líderes árabes também estarão presentes. 

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, já alertara nesta sexta-feira que as forças de Gaddafi violam o cessar-fogo previsto na resolução do Conselho de Segurança, que permite o uso de força militar para proteger os civis líbios. 

Já Araud afirmou esperar uma intervenção militar no país do norte da África horas depois de uma reunião, marcada para este sábado em Paris, entre os principais participantes de uma possível operação. 

RESOLUÇÃO
 
A criação da zona de exclusão aérea autoriza o abate de aviões do ditador líbio que decolem para atacar tropas opositoras. Em outras palavras, a ONU liberou o uso da força militar para que a resolução seja respeitada. 

A medida endurece ainda o embargo e as sanções contra Gaddafi, seus familiares e círculo mais próximo de colaboradores implementadas no mês passado. Bens e fundos de investimento do ditador e sua família na Suíça e na União Europeia há haviam sido congelados semanas atrás. 

Os Estados-membros da ONU podem agora adotar "todas as medidas necessárias" --o que incluiria ataques aéreos-- para "proteger os civis e as áreas povoadas por civis sob ataque na Líbia, incluindo Benghazi". 

O texto, contudo, exclui a presença de "qualquer força de ocupação estrangeira de qualquer tipo, em qualquer parte do território líbio". 

A resolução foi aprovada por dez votos a favor (incluindo EUA, França e Reino Unido), nenhum contra e cinco abstenções --Rússia, China, Alemanha, Índia e Brasil. 

O Brasil alegou temer que a resolução resulte em mais confrontos e disse defender uma solução pacífica aos confrontos.(Folha de São Paulo)


quarta-feira, 16 de março de 2011

Aviões de Gaddafi bombardeiam aeroporto de Benghazi, principal reduto rebelde

Aviões das forças leais ao ditador líbio Muammar Gaddafi bombardearam nesta quarta-feira a cidade de Benghazi, a segunda mais importante do país e o principal reduto dos rebeldes, segundo anunciou o coronel insurgente Faradj el Feyturi. 

O coronel, contatado pela emissora de televisão Al Jazeera em Benghazi, afirmou que os bombardeios ocorreram no início da manhã desta quarta e tiveram como alvo o aeroporto da cidade. 

Feyturi não detalhou se o ataque deixou vítimas ou danos materiais, mas assegurou que a resposta dos rebeldes foi contundente e que os aviões de Gaddafi "empreenderam fuga". 

Por sua parte, o ex-ministro do Interior líbio Abdel Fatah Yunis, que passou para o lado dos rebeldes nos primeiros dias da revolta, manifestou à emissora Al Arabiya que as forças insurgentes ainda controlam a cidade estratégica de Ajdabiya, a 160 quilômetros de Benghazi. 

Segundo Yunis, os rebeldes causaram "severas perdas" às forças do regime de Trípoli, que na terça-feira lançaram uma intensa ofensiva sobre essa cidade. 

O antigo chefe das forças especiais líbias relatou que os rebeldes atraíram as forças de Gaddafi até o centro de Ajdabiya antes de produzir uma emboscada, e assegurou que capturaram sete tanques e destruíram outros três. 

"Houve dezenas de mortos e feridos entre as forças de Gaddafi. Nos encarregamos de seus feridos e os transferimos aos nossos hospitais, enquanto muitos outros escaparam rumo à cidade de Tobruk, onde se renderam aos revolucionários", acrescentou. 

O coronel Khaled Essayeh, um dos porta-vozes militares rebeldes, confirmou esta versão à Al Jazeera e assegurou que o ataque das forças do regime foi repelido pelos rebeldes, que capturaram 120 de seus soldados. 

O correspondente da Al Jazeera em Ajdabiya, por sua vez, assinalou que os bombardeios dos aviões de Gaddafi sobre a cidade continuavam na manhã desta quarta-feira.(Folha de São Paulo)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Forças de segurança laçam bombas de gás contra manifestantes em Trípoli

As forças leais a Kadafi lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes que marchavam nesta sexta-feira, 4, em Trípoli. Cerca de 1,5 mil pessoas protestavam no distrito de Tajoura. Segundo testemunhas, tiros também foram ouvidos no local. Os manifestantes, que saíam das mesquitas após a reza pediam a renúncia do líder da Líbia, Muamar Kadafi, cantando "o povo quer derrubar o regime".

Rebeldes e forças de Kadafi tembám mantêm nesta sexta-feira choques armados no porto de Ras Lanuf, a 200 quilômetros da cidade de Sirte, que também informou de combates na localidade de Al Zawiyah, a apenas 92 quilômetros ao sul da capital líbia.

Pelo terceiro dia consecutivo, aviões bombardearam a região petrolífera de Brega, ao leste de Trípoli e sob controle das forças revolucionárias, mas sem provocar vítimas, informaram fontes da cidade à Agência Efe.

Um médico voluntário assegurou que foram registrados vários bombardeios a pedido de Kadafi durante a noite e que o último ataque nesta localidade, a cerca de 200 quilômetros de Benghazi, ocorreu por volta das 8h no horário local (3h de Brasília).

Na localidade próxima de Ajdabiya também se ouviu explosões, mas a fonte não soube informar se faziam parte do ataque aéreo lançado pelos aviões de forças leais a Kadafi.

O médico, que trabalha em Brega, afirmou que os ataques foram dirigidos contra os poços petrolíferos, mas não confirmou se eles foram alcançados.

Na quarta-feira, um ataque das forças fiéis a Kadafi, que tentaram obter o controle do aeroporto de Brega, deixou pelo menos 12 mortos e 28 feridos.

Desde então, a aviação líbia lançou vários ataques com bombas, que até o momento não deixaram mortos ou feridos, segundo fontes médicas consultadas pela Efe.

Em 17 de fevereiro teve início uma revolta popular em Benghazi, a segunda maior cidade líbia, que se estendeu por todo o país, e que se impôs no extremo leste e em várias cidades do oeste.

Kadafi ainda mantém o controle sobre Trípoli (noroeste), Sirte (norte) e Sabha (sudoeste).(EFE/Estado de São Paulo)


quinta-feira, 3 de março de 2011

Forças de Gadafi bombardeiam cidade petrolífera da Líbia

Pilotos da Força Aérea da Líbia pró-Muammar Gadafi voltaram a bombardear a cidade de Brega, localizada a cerca de 200 km de Benghazi, cenário da rebelião antigoverno que se espalhou pelo país e ameaça o regime. Brega é uma das mais importantes zonas petrolíferas da Líbia.

Segundo testemunhas, uma das bombas teria atingido regiões próximas a um hospital. Ainda não há informações sobre feridos. "Há aproximadamente duas horas, aviões de guerra lançaram uma bomba na área entre a companhia de petróleo e a zona residencial", informou um funcionário do hospital de Brega, Fattah al-Moghrabi em entrevista a agências de notícias.

Durante os violentos combates entre os manifestantes e as forças leais ao regime, essas munidas com artilharia pesada e com auxílio da aviação, cerca de 12 pessoas morreram na última quarta-feira em Brega.

O governo americano afirmou que dois navios anfíbios de guerra chegaram na última quarta-feira ao Mar Mediterrâneo, rumo ao litoral da Líbia. Os militares pretendem intervir no país que enfrenta protestos populares há 16 dias. Os EUA mantêm o porta-aviões USS Enterprise no Mar Vermelho, entretanto não há confirmação se ele será mandado ao Mediterrâneo.

A Líbia enfrenta pressões da comunidade internacional, mas o ditador Gadafi reafirmou que não irá deixar o governo, e prometeu "enfiar os dedos nos olhos dos adversários". Apesar dos registros de violência, o chefe de Estado líbio afirma que apenas 150 pessoas morreram. Já para o porta-voz da Liga Líbia dos Direitos Humanos, Ali Zeidan, cerca de 6 mil pessoas já podem ter sido vítimas da violência que toma a nação africana.(SRZD)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Liga Árabe rejeita intervenção externa na Líbia e adia cúpula

Navio de Guerra dos Estados Unidos no Canal de Suez

Motivo é a situação tensa no Norte da África e no Oriente Médio.
Órgão diplomático pediu ao regime de Kadhafi que cesse a violência.

A Liga Árabe adiou até o final de maio a sua cúpula inicialmente prevista para 29 de março em Bagdá, em consequência da situação na região do Norte da África e do Oriente Médio.

Em 18 de fevereiro a Líbia, atual presidente da Liga, anunciou que adiaria a cúpula anual, mas o Iraque desmentiu esse adiamento por considerar que não poderia ser decidido por um único país.

Ministros de Relações Exteriores da Liga Árabe se reuniram no Cairo para discutir o esboço de uma resolução rejeitando a intervenção militar estrangeira na Líbia, informou o vice-secretário-geral da Liga, embaixador Ben Helli. "A Liga Árabe, por meio de seus delegados, introduziu na terça-feira uma resolução que será entregue aos ministros de Relações Exteriores durante a reunião... para rejeitar qualquer intervenção militar estrangeira na Líbia", afirmou o embaixador Helli.

O Egito informou que dois navios de guerra americanos entraram no canal de Suez em seu caminho pelo Mediterrãneo, se aproximando da costa líbia, após ordens do secretário de Defesa, Robert Gates.
O presidente da Liga, Amr Moussa, pediu o fim da violência na Líbia na semana passada, dizendo que as exigências do povo árabe por mudanças são legítimas e requerem negociações, não confrontos.
A reunião desta quarta-feira entre ministros de Relações Exteriores deve reforçar a condenação da entidade contra o líder líbio, Muammar Kadhafi, mas o esboço da resolução também irá ressaltar 'a unidade e integridade do solo líbio'.

A Liga suspendeu a participação da delegação líbia na entidade, sediada no Cairo, como forma de condenação contra a violência das forças de Kadhafi na repressão às revoltas populares.

Ministros da Liga Árabe pediram aos líderes líbios nesta quarta-feira que tomem decisões 'corajosas' para impedir a violência e respeitem os 'direitos legítimos' do povo.

O ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, que presidiu a sessão de abertura da reunião no Cairo, também afirmou que a crise na Líbia é um assunto interno dos árabes, enfatizando que os árabes não queriam nenhuma 'intervenção estrangeira'.

Ele pediu um momento de silêncio aos ministros pelos árabes mortos na onda de protestos por reformas na região.(G1)



 

terça-feira, 1 de março de 2011

EUA posicionam navios e aviões perto da Líbia


WASHINGTON (Reuters) – As Forças Armadas dos Estados Unidos estão posicionando navios e aviões militares perto da Líbia, afirmou um oficial do Pentágono na segunda-feira, no momento em que o governo do presidente Barack Obama intensifica a pressão para que o líder líbio, Muammar Gaddafi, deixe o poder.

Os navios poderão ser usados para missões humanitárias e de resgate, afirmou a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em Genebra, onde ela disse ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) que Gaddafi estava usando “mercenários e bandidos” para reprimir uma manifestação popular.

“Não há qualquer ação militar pendente envolvendo embarcações navais dos Estados Unidos”, ela disse, depois que o Pentágono anunciou que estava posicionando navios de guerra e unidades da Força Aéreo perto do litoral líbio.

“Nós estamos aproximando navios da Líbia em caso de necessidade”, afirmou o coronel David Lapan, um porta-voz do Pentágono.

O coronel afirmou que aviões também estavam sendo reposicionados perto da Líbia, onde Gaddafi permanece irredutível diante da pressão do Ocidente e do seu próprio povo para acabar com seu regime de 41 anos.

O governo norte-americano afirmou que a ação militar é uma das opções que está considerando, embora muitos analistas dizem ser muito improvável que os Estados Unidos lancem uma invasão terrestre ou ataques aéreos por causa da situação volátil no país norte-africano.

O Pentágono não deu detalhes de quais forças estavam sendo mobilizadas, mas o anúncio deve ter o objetivo de enviar um sinal para Gaddafi e seu governo de que os Estados Unidos estavam agindo.

Não estava imediatamente claro quais navios a Marinha norte-americana têm no mar Mediterrâneo, mas o país possui dois porta-aviões estacionados mais a leste. A Sexta Frota dos Estados Unidos tem sua base perto de Nápoles, na Itália, no Mediterrâneo, em frente à Líbia.

Os Estados Unidos também estão conversando com aliados sobre criar uma zona de “restrição aérea” na Líbia, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Essa condição poderia impedir que Gaddafi usasse aviões de guerra ou helicópteros para atacar rebeldes que tomaram grandes áreas do país.

(Reportagem de Missy Ryan, Jeff Mason, Steve Holland, Glenn Somerville e Alister Bull, em Washington; de Andrew Quinn, em Genebra; e de Peter Apps, em Londres)
FONTE: Reuters/Brasil Online / FOTO: US Navy

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Kadafi arma civis contra os opositores, denunciam líbios

Em discurso, ditador afirmou que depósitos de armas seriam abertos a 'todos os líbios e tribos, para que a Líbia torne-se vermelha com fogo'

Vários moradores da capital da Líbia afirmaram neste sábado, 26, que o regime do líder líbio, Muamar Kadafi estaria armando simpatizantes civis para montarem bloqueios nas estradas e atacar os manifestantes.  

A revolta popular que se espalhou para várias partes do país constitui o maior desafio que Kadafi já enfrentou em seus 42 anos no poder. O ditador tem mantido o controle da capital, Trípoli, com vários atos de violência contra os manifestantes, mas os rebeldes dominam quase metade do litoral líbio.

Forças aliadas à Kadafi abriram fogo contra manifestantes após as orações de sexta-feira dos muçulmanos. O líder líbio, discursando a partir das muralhas de um forte histórico de Trípoli, disse aos aliados para se prepararem para defender a nação.

"No momento apropriado, vamos abrir o depósito de armas para que todos os líbios e tribos se armem e a Líbia torne-se vermelha com fogo", disse Kadafi.

Um empresário de 40 anos, afirma ter visto neste sábado apoiadores de Kadafi saírem com armas de uma das sedes do Comitê Revolucionário do regime.

Ele disse que o governo estaria oferecendo um carro e dinheiro para qualquer aliado que trouxer outras três pessoas para se unirem aos grupos pró-regime. "Eles vão armá-los para dirigirem em torno da cidade e aterrorizar as pessoas", afirmou o empresário.

Outros moradores relataram ter visto caminhões cheios de civis com rifles automáticos, patrulhando as suas vizinhanças. Muitos dos homens são jovens, ainda adolescentes, e usam braçadeiras verdes ou panos na cabeça para mostrar sua filiação ao regime, segundo moradores. As pessoas não quiseram se identificar, por medo de represálias.

Rebeldes. O chefe das Forças Armadas da parte oriental da Líbia, que está sob controle de opositores, brigadeiro-general Abdul Musa Nafa, pediu hoje aos outros oficiais do país que "marchem para Tripoli" e se rebelem contra o regime de Kadafi.

Em uma entrevista coletiva na cidade de Benghazi, o general descartou "por enquanto" uma ação militar dos insurgentes da "zona liberada" em Trípoli.(Estado de São Paulo)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Oficiais do Exército se unem à 'revolução do povo' no nordeste da Líbia

Cairo, 23 fev (EFE).- Oficiais do Exército líbio na zona de Al Jabal al Akhdar, no nordeste do país, anunciaram nesta quarta-feira que já fazem parte da revolução do povo, em um vídeo divulgado pelas emissoras de televisão árabes "Al Jazira" e "Al Arabia".

"Nós, os oficiais e os soldados das forças armadas na zona de Al Jabal al Akhdar, anunciamos nossa união total à revolução popular", disse um porta-voz militar das Forças Armadas líbias na região cujo nome não foi divulgado.

O porta-voz anunciou ainda o compromisso desses militares em trabalhar para proteger as instalações públicas e privadas na região.

Além disso, assegurou que as Forças Armadas em Al Jabal al Akhdar, cuja capital é Al Baida, estão sob o domínio do povo.

Fontes citadas pela cadeia "Al Jazira" na terça-feira já anunciavam que os opositores do regime tinham tomado o controle de Al-Baida, situada entre Benghazi e a fronteira com o Egito.

Já o responsável de relações gerais do Ministério do Interior líbio, Naji Abu Hrus, advertiu que em Al-Baida foi proclamada a criação de "um emirado islâmico".

Nas últimas horas, pelo menos oito embaixadores líbios e outros diplomatas de alto nível renunciaram a seus cargos insatisfeitos com a repressão dos protestos populares contra o regime do chefe de Estado líbio, Muammar Kadafi, segundo a "Al Jazira".

Além disso, o ministro do Interior líbio e general do Exército, Abdul Fatah Yunis, pediu demissão na terça-feira e incentivou as forças armadas a se unirem ao povo em sua luta por legítimas reivindicações, informou a "Al Jazira". EFE

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Mercenários" em helicópteros massacram manifestantes na Líbia

ONU fala em crimes contra a humanidade, enquanto governo nega ações

A rede de TV Al Jazeera, com sede no Qatar, informou que o governo continua a reprimir com violência os protestos contra o ditador Muammar Gaddafi, que há mais de 40 anos controla a Líbia. O jornal espanhol El País publicou o relato de pessoas dizendo que helicópteros sobrevoam a capital e mercenários abrem fogo indiscriminadamente.

A Jazeera relata que homens armados atiram contra os manifestantes em parte da capital do país, Trípoli, e em outras localidades líbias. Testemunhas afirmaram que Gaddafi bombardeou manifestantes nesta segunda-feira (21) e ao menos dois pilotos da Força Aérea do país se recusaram e buscaram refúgio em Malta.

Sem citar fontes, a rede de TV aponta cerca de 300 mortos nos embates. A ONG Human Rights Watch divulgou nesta segunda-feira (21) um balanço de mais de 230 mortes e números de outras fontes citam até 400 baixas.


Trata-se da segunda semana dos mais significativos protestos contra Gaddafi. No último domingo (20), o filho apontado como o possível sucessor do ditador, Saif al Islam Gaddafi, disse na TV que o governo resistiria até a última bala. Nesta segunda-feira, foi a vez do próprio Gaddafi aparecer na TV para dizer que não iria renunciar.

Início do foco dos protestos, a cidade de Benghazi, a segunda maior do país, continua praticamente isolada. Há um grupo de brasileiros no local, associados à construtora Queiroz Galvão.

ONU fala em crimes contra a humanidade e pede investigação

A alta comissária da Organização Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta terça-feira (22) que seja realizada uma investigação internacional sobre os ataques na Líbia contra manifestantes opositores ao governo, dizendo que podem ser considerados crimes contra a humanidade, informou a agência de notícias Reuters. Ela também pediu uma investigação independente sobre o que acontece no país.

Ao mesmo tempo, a TV líbia divulgou um comunicado de que não houve ataque aéreo em Trípoli, de acordo com a agência notícias France Presse.

Em um comunicado, Pillay pediu a suspensão imediata das violações contra os direitos humanos e denunciou o uso de metralhadoras, franco-atiradores e ataques sistemáticos contra civis.

Pillay, ex-juíza de crimes de guerra da ONU, alertou que tais atitudes podem configurar crime.
- Ataques sistemáticos em larga escala contra a população civil podem ser considerados crimes contra a humanidade. A insensibilidade com que as autoridades líbias e seus atiradores contratados estão disparando munições contra manifestantes pacíficos é algo inescrupuloso. Estou extremamente preocupada que vidas estejam sendo perdidas enquanto falo neste momento.

O departamento não tem presença na Líbia, mas permanece em prontidão para apoiar investigações e promover direitos civis, políticos e econômicos no país do norte da África, ressaltou o comunicado.(R7)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Protestos chegam à Trípoli; prédio do Parlamento é incendiado


Dezenas de pessoas foram mortas em Trípoli durante a noite quando os protestos contra o regime do ditador Muammar Gaddafi, há 42 anos no poder, chegaram à capital da Líbia pela primeira vez desde que a revolta começou, há seis dias. Jornalistas informaram que a sede central do governo, o prédio do Ministério da Justiça e o Parlamento estavam em chamas nesta segunda-feira. 

Os protestos até agora estavam mais concentrados em cidades do leste do país, onde houve dura repressão. Segundo a ONG sediada em Nova York Human Rights Watch (HRW), ao menos 233 pessoas já morreram desde o início das manifestações populares. 

A emissora de TV árabe Al Jazeera, citando fontes médicas, afirmou que 61 pessoas foram mortas nos últimos protestos em Trípoli. 

Segundo a TV, forças de segurança estavam saqueando bancos e outras instituições governamentais na capital e que manifestantes invadiram diversas delegacias da cidade e as destruíram. 

O prédio onde o Congresso Geral do Povo --o Parlamento-- se reúne quando está em sessão em Trípoli estava ardendo em chamas na segunda-feira, informou um repórter da agência de notícias Reuters. 

Mais cedo, o jornalista líbio Nezar Ahmed disse à Al Jazeera que manifestantes haviam ateado fogo à sede central do governo líbio e ao prédio que abriga o Ministério da Justiça na capital do país. 

Da capital líbia, Ahmed também assegurou que as forças de segurança praticamente se retiraram da cidade e que várias delegacias e outros prédios públicos também foram saqueados ou incendiados.
"Praticamente não há forças da ordem. Não se sabe aonde foram. Esta situação favorece os rumores alarmantes", explicou o jornalista, que mencionou como um deles a possível fuga de Gaddafi do país e divergências entre altos dirigentes do Exército e de outros corpos de segurança. 

Segundo Ahmed, há apenas um cordão policial em torno da sede da rede de televisão estatal Libya TV. 

Testemunhas disseram à agência de notícias France Presse que o prédio que servia de sede para um canal de televisão e uma rádio pública foi saqueado no domingo à noite por manifestantes em Trípoli.
"Um local que abrigava o canal Al-Jamahiriya 2 e a rádio Al-Shababia foi saqueado", afirmou uma testemunha, que pediu anonimato. A programação do canal e da emissora de rádio foi retomada nesta segunda-feira. 

A Al-Jamahariya 2, segundo canal público, e a rádio Al-Shababia foram criadas por um dos filhos de Gaddafi, Seif al Islam, em 2008, antes de serem nacionalizadas. 

Confrontos entre manifestantes e forças de segurança se espalharam no domingo até a capital líbia. Seif al Islam foi à TV estatal para afirmar que seu pai continua no poder --com apoio do Exército-- e que irá "lutar até o último homem, a última mulher, a última bala". 

Mas, até mesmo durante seu pronunciamento, na noite de domingo, confrontos foram registrados nas proximidades e na praça Verde, no centro de Trípoli, durando até a madrugada de segunda-feira, segundo testemunhas. 

Elas informaram que atiradores abriram fogo contra a multidão que tentava assumir o controle da praça, e partidários de Gaddafi passavam pelo local em veículos a altas velocidades, atirando e indo para cima dos manifestantes. 

Os protestos e a violência foram os mais fortes até agora na capital, um sinal de que a revolta está se espalhando após seis dias de demonstrações anti-Gaddafi em cidades do leste do país. 

A cidade de Benghazi, a segunda maior do país e onde os protestos começaram na semana passada após a prisão de um advogado de direitos humanos e onde dezenas de pessoas foram mortas por forças de segurança, está efetivamente sob controle dos manifestantes, de acordo com alguns moradores da localidade. 

Um avião da Turkish Airlines que tentava aterrissar em Benghazi foi forçado a sobrevoar o aeroporto e retornar a Istambul. 

Os manifestantes em Benghazi tiraram a bandeira líbia que ficava no prédio do principal tribunal da cidade e, em seu lugar, colocaram a bandeira da antiga monarquia do país, derrubada em 1969 em um golpe militar que levou Gaddafi ao poder. 

A Líbia tem sido palco da mais sangrenta repressão na onda de protestos que atingiu diversos países árabes e que derrubou os ditadores do Egito e da Tunísia. 

PRONUNCIAMENTO
 

Apesar dos sinais de que os protestos antirregime estão se espalhando, o filho de Gaddafi afirmou na TV, na noite de domingo, que seu pai irá prevalecer. "Não somos a Tunísia e o Egito", afirmou Seif al Islam. "Muammar Gaddafi, nosso líder, está liderando a batalha em Trípoli e nós estamos com ele." 

"As forças armadas estão com ele. Dezenas de milhares estão estão vindo para cá para estar com ele. Iremos lutar até o último homem, a última mulher, a última bala", disse ele em um muitas vezes confuso discurso de que quase 40 minutos. 

O filho do líder líbio prometeu ainda "reformas políticas significativas" --mesmo criticando os manifestantes antirregime-- e admitiu que a polícia e o Exército cometeram "erros" na repressão aos protestos, mas disse que o número total de mortes é muito menor do que o que tem sido divulgado. 

Seif al Islam é frequentemente apresentado como a face do regime de reforma. Muitos dos filhos de Gaddafi têm posições de poder no governo e, nos últimos anos, têm competido por influência. 

O filho mais novo de Seif, Mutassim, é o conselheiro para segurança nacional, com um importante papel entre os militares e forças de segurança. Outro filho, Khamis, lidera a 32ª brigada do Exército que, segundo diplomatas dos Estados Unidos, é a força mais bem treinada e melhor equipada. 

DEMISSÃO DE DIPLOMATAS
 
A dura repressão aos protestos gerou uma onda de demissão de embaixadores líbios em diversos países. 

O embaixador líbio na Índia, Ali al Issawi, disse à BBC que decidiu deixar o cargo em protesto contra o uso de violência por parte do governo e afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios. 

O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolução. Outra baixa foi o embaixador líbio na China. 

Países ocidentais expressaram preocupação com o aumento da violência contra manifestantes antigoverno na Líbia. 

O chanceler britânico, William Hague, disse ter conversado com Seif al Islam por telefone e que lhe disse que o país deve começar um "diálogo e a implementação de reformas".(Folha de São Paulo)


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Onda de protestos antigoverno chega à Líbia; 38 ficam feridos


Inspirados pelos protestos populares no Egito, centenas de líbios saíram às ruas de Benghazi, a segunda maior cidade do país, nesta quarta-feira para pedir a derrubada do governo do ditador Muammar Gaddafi. Segundo a imprensa local, ao menos 38 pessoas ficaram feridas em choques com forças de segurança. 

Ashur Shamis, um ativista líbio de oposição em Londres, e testemunhas disseram que os protestos começaram na terça-feira e continuaram até as primeiras horas desta quarta-feira na cidade portenha. 

Os manifestantes cantavam "Muammar é o inimigo de Deus" e "Abaixo, abaixo à corrupção e ao corrupto". Armados, policiais e partidários do governo rapidamente cercaram os manifestantes e atiraram balas de borracha, segundo Shamis. 

Os protestos na Tunísia, Egito, Iêmen e Bahrein agitou o mundo árabe e gerou uma pressão sem precedentes sobre líderes como Gaddafi, que tem estado no poder há décadas. 

As demonstração também oferecem novos desafios para os Estados Unidos, que têm interesses estratégicos em cada um desses países. Na terça-feira, o presidente americano reconheceu estar preocupado com a estabilidade da região e estimulou os governos a saírem na frente e realizarem mudanças. 

Assim como os protestos que derrubaram os ditadores da Tunísia e do Egito, ativistas líbios usaram sites de redes sociais --como o Facebook e o Twitter-- para convocar as pessoas. Eles marcaram uma grande manifestação para terça-feira. 

A agência de notícias oficial da Líbia não noticiou nada sobre os protestos antigoverno. Informou apenas que partidários de Gaddafi estavam marchando nesta quarta-feira na capital, Trípoli, em Benghazi e outras cidades.
A agência citou um comunicado divulgado pelo grupo pró-Gaddafi pedindo para "defender o líder e a revolução". O texto descreve os manifestantes antigoverno como "covardes e traidores". 

O ditador líbio tem tentado tirar seu país do isolamento. Em 2003, foi anunciado que ele estava abandonando seu programa de armas de destruição em massa, renunciando ao terrorismo e que iria compensar as vítimas do atentado de 1986 na discoteca La Belle em Berlim e da explosão de um avião da Pan Am, em 1988, sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia. 

Essas decisões abriram a porta para relações mais amenas com o Ocidente e levantaram sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e dos EUA, mas Gaddafi continua enfrentado acusações de violações de direitos humanos na nação do norte da África. 

MOTIVO
Os protestos de terça e quarta aparentemente foram provocados pela falha das conversas entre o governo e um comitê representando famílias de centenas de prisioneiros mortos quando forças de segurança abriram fogo durante protestos, em 1996, em Abu Salim, a mais importante prisão da Líbia. O governo começou a pagar compensações às famílias, mas o comitê pede o julgamento dos responsáveis. 

Mas os manifestantes não se limitaram ao caso e, em vez disso, pediram por reformas políticas e econômicas amplas. 

Eles cantaram slogans contra Gaddafi e contra o premiê Baghdadi al Mahmoudi, segundo testemunhas e vídeos colocados na internet. 

O governo também planejou libertar nesta quarta-feira 110 militantes islâmicos que eram membros de um grupo que planejava derrubar Gaddafi, mas não está claro se a libertação ocorrerá como planejado devido aos protestos. 

A imprensa líbia informou que ao menos 38 pessoas ficaram feridas em confrontos em Benghazi entre manifestantes e forças de segurança. 

O jornal "Quryna, que citou o diretor do hospital local, afirma que entre os feridos estão "três sabotadores e 10 membros das forças de segurança". "Nenhum deles está em situação grave", destaca o jornal. 

GADDAFI
O ditador líbio chegou ao poder em 1969 por meio de um golpe militar e, desde então, dirige o país sem Parlamento ou Constituição. Apesar de Gaddafi afirmar ser apenas um líder revolucionário sem status oficial, ele tem poder absoluto. 

Grupos de oposição dizem que, na prática, ele tem controle direto sobre a política do país e suas forças militares e de segurança. 

"O que aconteceu no Egito e na Tunísia inspirou a juventude [líbia]", disse Shamis.(Folha de São Paulo)